Onde moram as respostas

A certeza de que morreria no instante seguinte. Peito apertado, coração na boca, mãos que apapalvam o rosto em busca de um sinal. E o medo.

Respira. Respira. Respira.

Não é nada, você sabe. Vai passar. Pensa em qualquer coisa. Manter o pensamento desviado por três minutos é o segredo.

Respira.

E o medo. E o medo.

E.

O.

Medo.

Pensou em coisas práticas como separar a carteirinha do plano de saúde, procurar o carregador do celular (quando voltaria para casa?); tirar o pijama e enfiar-se numa roupa qualquer.

Respira.

Apertou as mãos. Sem drama, de repente não havia mais tremor, névoa, pavor enrolado nos dedos. Havia o choque de se reconhecer fora de si, é verdade. Havia também uma pura falta de sincronia entre A Pessoa e seu duplo. Mas isso ficaria para outra hora. Agora, importava-lhe cravar as unhas na ideia de que não morreria mais. Não agora. (Talvez nunca?)

Com as costas derretidas na cama, dobrou as pernas em um x meticuloso. Músculos alongados como âncora jogada mar adentro. Foi o pensamento, decidiu. Ou a calma engolida como livro de autoajuda, o vento frio e barulhento do ventilador, a reza forte para um DEUS ignorado em caixa alta. A resiliência. Poderia ser tudo.

Ou somente a cabeça. Resolveu que dormiria sem respostas. Porque naquele instante, fechar os olhos já era algo silenciosamente esclarecedor.

Imagem: Pinterest

Nenhum comentário:

Postar um comentário